FILHOS BEM SUCEDIDOS
Precisamos encarar os fatos: a família, o casamento e a educação de filhos têm passado por profundas transformações nos últimos anos. Homens, mulheres, pais e filhos estão sofrendo profundas crises de identidade. A conseqüência disso é que os lares e consequentemente a sociedade, pouco a pouco, tem-se transformado num ringue de lutas e incertezas.
Nossa cultura milita contra a convivência familiar comunitária.O sociólogo francês Jacques Ellul fez uma avaliação muito séria e precisa sobre as razões porque a sociedade moderna está tão carente de “comunidade”. Ellul explica que tudo começou com a Queda, que afetou o projeto original de Deus que era um mundo em perfeita ordem e harmonia – esse é o motivo fundamental da falta de comunidade que enfrentamos hoje. Porém, a intimidade familiar conseguiu sobreviver como padrão através da maior parte da sociedade, até o advento da Revolução Industrial no século XVIII. Até esse momento as famílias trabalhavam juntas. Desde cedo os filhos imitavam os pais no trabalho e eram preparados para serem responsáveis com a continuidade da herança familiar. Com a revolução, em lugar de trabalhar no campo ou nos pequenos estabelecimentos comerciais com os filhos, o marido/pai começou a trabalhar noutros ambientes. Resultado: passou a voltar para casa tenso com as broncas do patrão, a viver mais tempo fora de casa e com estranhos do que com a família.
A situação se agravou mais quando durante a II guerra mundial (1939-1945) as mulheres também começaram a trabalhar fora de casa. Com o pai na fábrica, a mãe no escritório e os filhos na creche ou trabalhando em outros ambientes a dispersão tornou-se ainda maior. O ponto máximo da destruição da estrutura familiar aconteceu com a chegada da tecnologia.
Por exemplo: hoje cada um tem seu carro, cada um tem o seu celular. Em muitas casas, cada um tem a sua televisão. O fruto desse avanço é que não existe mais tempo para o diálogo. Os membros da família estão sempre cansados, tensos e isolados uns dos outros.
Diante desse quadro é quase que uma redundância perguntar sobre quem sofre o maior impacto dessa nova realidade familiar. Obviamente que são os filhos. Muitos deles são educados hoje por avós, babás ou monitoras de creche. Os pais são educadores à distância. Quando estão em casa com os filhos estes estão quase sempre cansados. Em muitos lares já não há quase nenhum vínculo emocional e afetivo entre pais e filhos.
Precisamos nos mobilizar e fazer alguma coisa. Mas, o quê?O ideal seria reinventar a sociedade, mas isso é impossível. Há, porém, algo que está ao nosso alcance – podemos resgatar não os tempos que se foram, mas alguns valores perdidos, e nos conscientizarmos do nosso papel. Não precisamos voltar no tempo, mas trazer para o presente o que não deveríamos ter deixado lá atrás. Urge aos pais do século XXI saberem que brinquedos, roupas, calçados, computadores e outros produtos eletrônicos nunca suprirão as carências bio-psico-sócio-espirituais de uma criança.
Muitos deles tentam compensar aquilo que não são para os filhos, entupindo-os de presentes. Nossas crianças não precisam de festas de aniversário (embora esses gestos possuam seu valor); precisam de algo que o dinheiro não pode comprar: nosso afeto. Por mais que consigamos arrancar um sorriso de nossos filhos, essas coisas não formam o caráter de ninguém. Pelo contrário, em muitos casos, deformam.
Ouvi há algum tempo uma pequena parábola que quero compartilhar com você. Ela ilustra bem essa questão. Leia com atenção.
Certa mulher comprou um papagaio que segundo o dono da loja sabia falar vários idiomas. Levou-o para casa, mas ele não falou. De volta à loja ela foi informada de que se esquecera de comprar alguns “acessórios papagaíticos” necessários para a ave falar. Durante alguns dias o papagaio continuou em silêncio enquanto sua dona ia todos os dias à loja e comprava novos acessórios. Uma semana depois, após adquirir todos os badulaques que poderia, ela acordou de manhã e, finalmente ouviu o papagaio falar. Correu à sala, mas quando se aproximou da avezinha, ela já estava morta. Revoltada, telefonou para o dono da loja e disse: ‘Comprei todos os acessórios que o senhor mandou, e agora que o papagaio resolveu falar, morreu’. O comerciante curioso, perguntou: ‘Minha cara senhora, quais foram as últimas palavras do papagaio?’ E do outro lado da linha a mulher respondeu: ‘O papagaio disse: “E comida, vocês não vão me dar comida”?’
Muitos pais hoje estão agindo exatamente como essa senhora. Dão aos filhos todos os acessórios disponíveis no mercado, mas se esquecem do principal. Filhos precisam mesmo é de amor. Estão gastando quantias enormes, enquanto seguir as orientações de um único versículo bíblico fica bem mais barato. Sobre isso Paulo escreveu o seguinte:
“Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor”.
Efésios 6:4 (NVI)
Temos nessas poucas palavras as três maiores necessidades que um filho possui e, pasmem, Paulo não diz que é dinheiro, roupa de grife, viagem à Disney ou Beto Carreiro, cursos de inglês e informática...
Na orientação inspirada do apóstolo filhos bem-sucedidos são aqueles que têm, em primeiro lugar, pais e mães que vivem a vida comum do lar juntos. Observe o vocativo: “Pais”. Não apenas um – o pai ou a mãe – mas ambos. Sei que os teólogos discutem esse vocativo, mas fico com aqueles que aceitam aqui a figura dos dois e não apenas dos homens.
Na educação dos filhos a figura do pai é tão essencial quanto a da mãe. Um corpo não pode sobreviver sem coração e pulmão. Embora sejam órgãos distintos e nada semelhantes, um não pode manter a funcionalidade do corpo sem o outro.
Assim são os filhos. Eles precisam do papel da mãe, tanto quanto precisam do papel do pai. Esse regime estranho às Escrituras que os sociólogos chamam de “monoparental”, isto é, liderança familiar exercida por apenas uma pessoa, não supre todas as necessidades de afeto, modelo e firmeza que uma criança precisa. Embora vivamos num contexto social que nos obrigue a passar boa parte do tempo separados, precisamos encarar o fato de que somos indispensáveis na criação dos nossos filhos. Pais verdadeiros são aqueles que vivem a vida comum do lar, e este é um caminho que precisamos refazer com a devida urgência. Precisamos voltar a estar inseridos no contexto íntimo de nossa casa e a estarmos a par das pequenas coisas que compõem a complexa engrenagem familiar.
Em segundo lugar filhos bem-sucedidos são aqueles que têm na sua formação pais que possuem equilíbrio emocional, espiritual, moral e funcional. “Não irritem seus filhos”, isto é, não os deixe sem rumo, desesperados e desanimados. Nem é preciso dizer que isto só é possível onde há equilíbrio emocional, espiritual, moral e funcional. Quando os pais não possuem esse ponto de equilíbrio seus filhos sentem e apresentam em seus modos as mesmas precariedades dos pais. Segundo o psiquiatra e escritor Augusto Cury “um conflito psíquico sem tratamento e sem fundo genético, pode ser reproduzido espontaneamente em até três gerações”.
Pais emocionalmente desequilibrados podem tornar-se culpados de gerarem em seus filhos desordem e caos em todas as áreas de suas vidas.
William Hendriksen, gabaritado comentarista bíblico, apontou em seus escritos algumas formas pelas quais os pais podem tornar-se desequilibrados e consequentemente culpados desse erro, ao educar seus filhos; excesso de proteção é uma delas. Depois, favoritismo, desestímulo, anulação de identidade pessoal, negligência e o uso de palavras ásperas e crueldade físicas são outros apontamentos que ele garimpou.
Segundo dados estatísticos os filhos ouvem 20% do que os pais dizem e praticam 80% do que vêem seus eles fazerem. Eis aí uma boa razão para nos tornarmos exemplo para nossos rebentos.
Finalmente, filhos bem-sucedidos são aqueles que recebem de seus pais regras e orientações sempre claras e bem definidas. “Criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor”, conclui Paulo.
Educar filhos é capacitá-los para a vida. É dar a eles subsídios para que sobrevivam diante dos inúmeros desafios que a vida apresenta. Um dos erros mais graves que alguém com voz de comando pode cometer é não ser claro naquilo que pretende de seus comandados. Um comando mal explicado pode provocar catástrofes inigualáveis. Por isso, os pais precisam delimitar até onde se pode ir e o porque – o que é permitido ou não, o que se espera ou não se espera. Pense no que pode acontecer com seu filho se você omitir alguma informação importante para sua vida, ou passar alguma orientação errada. De acordo com o texto bíblico original o verbo criar, empregado no texto que estamos explorando, significa algo mais abrangente. Este é o mesmo verbo usado em Efésios 5:29 quando Paulo fala sobre “alimentar”. Dessa forma os pais devem alimentar seus filhos com instrução e conselho, isto é, nutri-los através de uma ação repetitiva e saudável, o que acontece mais de uma vez por dia. Leia mais sobre essa necessidade em Dt 6:6-7. A questão aqui não é alimentar e nutrir o corpo, mas a personalidade. Mas cuidado, não resolve alimentar com qualquer coisa. É preciso alimentar a criança com sabedoria, tranqüilidade e fundamentos sólidos embasados na Palavra de Deus.
pr dr Flávio da Silva
Temos nessas poucas palavras as três maiores necessidades que um filho possui e, pasmem, Paulo não diz que é dinheiro, roupa de grife, viagem à Disney ou Beto Carreiro, cursos de inglês e informática...
Na orientação inspirada do apóstolo filhos bem-sucedidos são aqueles que têm, em primeiro lugar, pais e mães que vivem a vida comum do lar juntos. Observe o vocativo: “Pais”. Não apenas um – o pai ou a mãe – mas ambos. Sei que os teólogos discutem esse vocativo, mas fico com aqueles que aceitam aqui a figura dos dois e não apenas dos homens.
Na educação dos filhos a figura do pai é tão essencial quanto a da mãe. Um corpo não pode sobreviver sem coração e pulmão. Embora sejam órgãos distintos e nada semelhantes, um não pode manter a funcionalidade do corpo sem o outro.
Assim são os filhos. Eles precisam do papel da mãe, tanto quanto precisam do papel do pai. Esse regime estranho às Escrituras que os sociólogos chamam de “monoparental”, isto é, liderança familiar exercida por apenas uma pessoa, não supre todas as necessidades de afeto, modelo e firmeza que uma criança precisa. Embora vivamos num contexto social que nos obrigue a passar boa parte do tempo separados, precisamos encarar o fato de que somos indispensáveis na criação dos nossos filhos. Pais verdadeiros são aqueles que vivem a vida comum do lar, e este é um caminho que precisamos refazer com a devida urgência. Precisamos voltar a estar inseridos no contexto íntimo de nossa casa e a estarmos a par das pequenas coisas que compõem a complexa engrenagem familiar.
Em segundo lugar filhos bem-sucedidos são aqueles que têm na sua formação pais que possuem equilíbrio emocional, espiritual, moral e funcional. “Não irritem seus filhos”, isto é, não os deixe sem rumo, desesperados e desanimados. Nem é preciso dizer que isto só é possível onde há equilíbrio emocional, espiritual, moral e funcional. Quando os pais não possuem esse ponto de equilíbrio seus filhos sentem e apresentam em seus modos as mesmas precariedades dos pais. Segundo o psiquiatra e escritor Augusto Cury “um conflito psíquico sem tratamento e sem fundo genético, pode ser reproduzido espontaneamente em até três gerações”.
Pais emocionalmente desequilibrados podem tornar-se culpados de gerarem em seus filhos desordem e caos em todas as áreas de suas vidas.
William Hendriksen, gabaritado comentarista bíblico, apontou em seus escritos algumas formas pelas quais os pais podem tornar-se desequilibrados e consequentemente culpados desse erro, ao educar seus filhos; excesso de proteção é uma delas. Depois, favoritismo, desestímulo, anulação de identidade pessoal, negligência e o uso de palavras ásperas e crueldade físicas são outros apontamentos que ele garimpou.
Segundo dados estatísticos os filhos ouvem 20% do que os pais dizem e praticam 80% do que vêem seus eles fazerem. Eis aí uma boa razão para nos tornarmos exemplo para nossos rebentos.
Finalmente, filhos bem-sucedidos são aqueles que recebem de seus pais regras e orientações sempre claras e bem definidas. “Criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor”, conclui Paulo.
Educar filhos é capacitá-los para a vida. É dar a eles subsídios para que sobrevivam diante dos inúmeros desafios que a vida apresenta. Um dos erros mais graves que alguém com voz de comando pode cometer é não ser claro naquilo que pretende de seus comandados. Um comando mal explicado pode provocar catástrofes inigualáveis. Por isso, os pais precisam delimitar até onde se pode ir e o porque – o que é permitido ou não, o que se espera ou não se espera. Pense no que pode acontecer com seu filho se você omitir alguma informação importante para sua vida, ou passar alguma orientação errada. De acordo com o texto bíblico original o verbo criar, empregado no texto que estamos explorando, significa algo mais abrangente. Este é o mesmo verbo usado em Efésios 5:29 quando Paulo fala sobre “alimentar”. Dessa forma os pais devem alimentar seus filhos com instrução e conselho, isto é, nutri-los através de uma ação repetitiva e saudável, o que acontece mais de uma vez por dia. Leia mais sobre essa necessidade em Dt 6:6-7. A questão aqui não é alimentar e nutrir o corpo, mas a personalidade. Mas cuidado, não resolve alimentar com qualquer coisa. É preciso alimentar a criança com sabedoria, tranqüilidade e fundamentos sólidos embasados na Palavra de Deus.
pr dr Flávio da Silva

